Este poema nasceu de uma só vez, mas com duas vozes.
A primeira veio mansa, como quem descobre devagar o que já sabe.
A segunda veio depois, como quem se cansou de ter paciência.
Ambas são verdadeiras.
Ambas são minhas.
Não escolhi uma em vez da outra.
Escolhi mostrar as duas – porque a vida também não nos mostra um só lado.
Espero que encontres aqui um eco do que já sentiste, seja na calma ou na fúria.
Obrigado por leres.
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Isto é meu.
Não precisas de me dizer
És jovem.
Tens fome.
Queres experimentar.
Tudo.
Queres mais,
porque ainda não sabes
o que é suficiente.
Se não é isto,
tentas outra coisa.
E outra.
E mais outra.
Até encontrares algo
que te faça pensar:
é isto.
Isto é para mim.
E então queres subir.
O mais alto possível.
Não faz sentido dizeres:
para isto sou eu,
para aquilo sou outro.
Não.
És sempre tu.
No trabalho.
Na vida.
Na cama.
Também aí queres provar.
Descobrir.
Sentir.
Até que um dia
deixas de procurar.
Não porque já conheças tudo.
Mas porque finalmente sabes
o que não queres perder.
E ficas.
Isto é meu.
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Isto é meu.
Cala-te.
Não me digas o que sou.
Tenho fome.
Fome de cão.
Quero tudo.
Agora.
Não sabes o que é suficiente?
Ainda bem.
Quero mais. Sempre mais.
Se não é isto,
fodo-me com outra coisa.
E outra.
E outra.
Até partir os dentes.
Até encontrar algo
que me pare o coração.
Isto.
Isto é para mim.
Isto é meu.
Quero subir.
Até não poder mais.
Dizes que sou diferente no trabalho,
na vida, na cama?
Mentira.
Sou sempre o mesmo.
Um animal à procura.
Provar.
Descobrir.
Sentir até doer.
Até que um dia
a procura morre.
Não porque já vi tudo.
Mas porque encontrei
o que não posso perder.
E fico.
Como uma faca no osso.
Isto é meu.
Não toques.
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