IDEIAS LOUCAS
J.P.E. Willems
09 August 2026
IDEIAS LOUCAS
Verso 1
Este calor é sopa fria,
o macaco quer uma saia.
Fui buscar chuva na cozinha,
trouxe estrelas numa caixa.
Na minha cabeça há vacas,
a mugir no corredor.
Uma cereja dá-me um beijo,
eu respondo: “Que calor!”
Verso 2
Perguntei à cama: “Durmo?”
“Vai perguntar à cadeira.”
A mesa ganhou uma medalha,
por ficar quieta a noite inteira.
“É um homem muito sério”,
ouço alguém dizer de mim.
Se ser sério é ser torto,
então estou bem assim.
Refrão
Ideias loucas, sabichonas,
ninguém sabe de onde vêm.
Ideias loucas, brincalhonas,
não fazem mal a ninguém.**
Bicicleta para peixe,
um chapéu para o luar.
Se o mundo perde o juízo,
deixa o mundo descansar.**
Verso 3
Hoje a sombra chegou tarde,
perdeu o comboio das três.
O meu casaco escreveu
para uma laranja em português.
O relógio parou de rir,
a lua quis ver o sol.
Uma nuvem calçou meus sapatos
e dançou melhor que eu.
Ponte
“Se toda a gente pensa certo”,
disse a chaleira ao chá,
“talvez o absurdo seja a chave
que abre a porta da paz.”
Último refrão
Ideias loucas, sabichonas,
moram dentro da minha voz.
Comem jornais ao pequeno-almoço,
e depois riem de nós.**
Ideias loucas, brincalhonas,
dançam mesmo sem saber.
Vão de bicicleta com um peixe,
sem ter para onde correr.**
Final
E se ninguém entender,
também não faz mal nenhum.
Às vezes a coisa mais louca
é fazer sentido a alguém.
Ideias loucas…
ideias sabichonas…
às vezes o absurdo
é a verdade que nos salva.
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