Que,
neste tempo em que vivemos,
olhamos tão pouco uns para os outros.
Vemos-nos,
mas raramente nos damos ao trabalho
de descobrir o que vive por detrás de um olhar.
E parece quase estranho
quando alguém se interessa de verdade.
Quando alguém pára um instante
para visitar um site,
abrir um livro,
ler um poema,
olhar uma pintura,
ou simplesmente conhecer
aquilo que alguém criou
e decidiu partilhar com o mundo.
Porquê escrever, então?
Porquê criar,
contar,
mostrar aquilo que somos,
se quase ninguém se dá ao trabalho de olhar?
Será apenas para sermos vistos?
Para ganhar alguma coisa?
Para nos tornarmos conhecidos,
esperando, em silêncio,
que alguém faça por nós
aquilo que tantas vezes
não fazemos pelos outros?
Talvez nos falte um pouco de atenção.
Um pouco de curiosidade.
Um pouco mais de ternura.
Talvez pudéssemos olhar uns para os outros
com mais compreensão,
e com menos pressa para julgar.
Não penses que o teu casamento acabou
só porque o teu marido ou a tua mulher
olhou uma vez para outra pessoa.
Ou porque houve um sorriso,
uma faísca,
um desejo,
talvez até um beijo.
Somos humanos.
Olhamos.
Sentimos.
Desejamos.
Hesitamos.
Erramos.
E talvez o mais difícil
seja simplesmente aceitar isso.
Ser um pouco mais gentil
com os outros.
Mas, sobretudo,
contigo próprio.
Perdoa-te, afinal,
por seres humano.
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